terça-feira, 21 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ruuuuuush

Right now, I am going to Berlim. Friday, I am off to Amsterdã. The life is faster here. The world grows up under my eyes and I can touch everything. I'll carry with me just some T-shirts, two aples, a camera and an edition of The Journey to the centre of Earth. It's enough, now. And keep walking.

Não, não vou ficar escrevendo em inglês aqui não. Essa foi só pra praticar, enquanto não dá a hora de pegar o ônibus. Não sei o que esperar os próximos quatro dias. A única coisa da qual tenho certeza é que, em Amsterdã, não vou fazer nada que seja ilegal, nadinha de nada, mesmo porque difícil é achar alguma coisa que seja ilegal por lá. Dizem que matar os outros não é muito bem-visto.

É isso aí. Fui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Childhood refound








Londres, para mim, tem sido o reencontro da infância. Itens de contos de fada e desenhos animados, como castelos, corvos, esquilos, princesas, armaduras, passaram a fazer parte do meu cotidiano. Sinto-me como se meus brinquedos tivessem crescido, quando passo pela Torre de Londres ou ao parar na Estação Baker Street, onde (mesmo que ficcionalmente) morou Sherlock Holmes. No Imperial War Museum, encontrei um avião da Segunda Guerra igualzinho ao meu super-caça bombardeiro dos Comandos em Ação.

Mesmo sem nunca ter sido grande fã do Tico e do Teco, me pego embasbacado diante do carisma dos esquilos, que chegam a subir pelas nossas roupas em busca de um pedaço de sanduíche. Perdendo-me pelas vielas, posso cair do sonho no pesadelo, ao dar por mim andando pelas mesmas ruas que o misterioso e temido Jack Estripador costumava agir.

Tamanha interação entre fantasia e realidade dá um ar onírico a essa viagem, me faz mergulhar na mesma atmosfera que torna mais intensos os prazeres dos sonhos e também os horrores dos pesadelos, o que felizmente varre para longe qualquer meio-termo que insista em povoar a minha vida.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Crônicas londrinas: a primeira noite de trabalho

Nunca estive tão elegante. Gravata, colete, camisa, tudo impecável. A bandeja na mão, decorando nomes de canapés e repetindo automaticamente: "Would you like some canapes?"

É minha primeira noite de trabalho, num hotel perto da Oxford Street, numa área chique de Londres. Coincidentemente, trata-se de uma festa brasileira, aparentemente um oba-oba do cinema bancado pelo BNDES. Apesar do luxo do hotel, os convidados nada têm de glamourosos. Até os mais cheios de pose enchem as mãos quando eu me aproximo com a bandeja cheia de "smoked salmon with mango sauce". Um sujeito parecido com o Jean Paul Sartre deve ter comido uns 40 canapés, sempre ignorando os guardanapos que lhe estendo.

No staff, alguns brasileiros, um indiano e vários lituanos. O gerente inglês parece ser um cara legal, sempre absorvido pelo trabalho e querendo ajudar. É ele quem aparece feito um raio para recolher os cacos de vidro quando, estreando novamente, deixo um prato cair no chão, no fim da festa. Ninguém me dá nenhuma bronca e, demonstrando simpatia, outros garçons me contam de quando deixaram cair taças cheias de vinho nos vestidos das madames. Eu não estou nem um pouco preocupado, já que o garçom é uma espécie de avatar de mim mesmo aqui e, portanto, a menos que alguém me belisque e me faça acordar, olho para tudo isso com a curiosidade e o desprendimento de quem está a passeio no corpo de outra pessoa.

Provo a comida estimulado pelos colegas que, no elevador, no trajeto entre a cozinha e o salão, aproveitam para matar a fome. "Help yourself", eles dizem. Salmão, atum, cogumelo, presunto de parma, coisa de primeira, tudo muito bem feito por um chefe francês que fala um inglês quase incompreensível. Trata-se de um sujeito extremamente performático, parecido com aqueles chefes de cozinha dos reality shows da TV a cabo, que pontua todos os seus pedidos aos cozinheiros com um "give me a fucking " qualquer coisa. Vendo que eu assistia a cena com curiosidade, o cozinheiro dá uma piscada para mim. A menos que fosse uma cantada, me parece que o se trata de um sinal de que ele encara tudo isso da mesma forma que eu.

Saio por volta da meia-noite e, graças aos brasileiros que não quiseram ir embora da festa logo, perdi o metrô. Espero cerca de uma hora pelo ônibus noturno na Oxford Street e, quando ele chega, sento ao lado de um indiano que insiste em deitar a cabeça no meu ombro. Demora uma meia hora para eu chegar até Bethnal Green, onde moro. (Com o tempo, fui descobrindo que meu bairro é considerado periferia aqui, apesar de ficar bem perto do centro. Pelas ruas, vejo dezenas de imigrantes de todos os países, desde mulheres de burka a homens usando estranhos turbantes. Apesar de supostamente ser um bairro pobre, aqui as casas são bonitas, as ruas são limpas, o sistema de transporte funciona e há vários espaços de lazer, incluindo o bonito Victoria Park. Logo, não tive nenhum problema para me adaptar a tamanha pobreza.) Levanto aliviado ao ouvir a voz que anuncia as paradas dizer: "Next stop is Roman Road Market". Intimamente, me pego desejando que o indiano dorminhoco passe do seu ponto, só para aprender a ser menos espaçoso. Ele está no quinto sono e se apodera de todo o assento.

Acordei tarde hoje, tomei um café com um nescafé genérico daqui e me preparo para sair rumo à escola de inglês. Enquanto escrevo, sentado na mesa da cozinha de casa, ouço no rádio um longo debate sobre o caso de infidelidade do astro do futebol inglês, Wayne Rooney, na LBC Radio. Pelo que compreendi, alguns ingleses culpam a apagada performance do atacante na Copa do Mundo ao medo de que a mulher dele descobrisse que fora traída, durante a gravidez, com uma prostituta de luxo. O noticiário cheio de fofocas é até interessante, o problema é que quase ninguém fala sobre a greve do metrô. Vou ter que descobrir agora, na rua, a extensão da paralisação. Em breve, volto com novas crônicas londrinas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

The red dusk

O vermelho do céu parece refletir no chão, coberto de folhas que anunciam o início do outono. Esquilos caçam comida entre os restos deixados pelos visitantes do Holland Park e um corvo acima do peso chacoalha os galhos mais miúdos do robusto carvalho. Meninos jogam críquete displicentemente no enorme gramado, enquanto o ex-primeiro ministro mostra sua indiscrição ao contar a intimidade da família real no London Evening Post. Nada de novo, exceto pelo fato de que tudo isso faz parte da rotina da minha nova vida.