sexta-feira, 18 de março de 2011

Confesso, Senhor, eu caí no pecado da abertura de empresa. Fechai-a, Senhor

Se Eva fosse brasileira, em vez de comer e oferecer a maçã para Adão, certamente ela abriria uma empresa no seu nome. Seria, então, como no Velho Testamento, banida do Paraíso do sossego, na luta para manter e principalmente fechar uma empresa, pisoteada pelos dinossauros da burocracia, com uma pasta debaixo do braço, carregando certidões para cá e para lá.

Pois eu cometi esse pecado. Sim, eu pequei. Abri uma empresa. Não me tornei empresário, mas abri a empresa apenas para poder trabalhar, porque as empresas todas hoje não nos querem empregados, mas empresas, para que, paradoxalmente, possamos ser empregados novamente. Pois, resumindo, eu pequei.

Parei de prestar serviços para a empresa X e, por isso, resolvi também deixar de ser pseudo-empresário, uma condição que deixa constrangido um anarquista feito eu. Pois faz 20 dias que saio da Receita Federal para a Caixa Econômica, mudando isso e aquilo, porque, dizem os funcionários públicos, aqui nesse campo você tem que colocar B maiúsculo e não b minúsculo e blá, blá, blá.

Ontem, me vi numa tarefa quase impossível. Tinha de achar, acreditem, um disquete! Sim, porque a Caixa Econômica Federal só aceita disquetes, nada de pen drive, CD, DVD, blue tooth. Rodei lojas e mais lojas de informática, enfrentando risos e piadinhas, o que, disquete? Alguns nem sabiam o que é disquete. O mais próximo que cheguei dos disquetes foi quando achei uma caixa para botar disquetes. Temos fita cassete mas não disquete, lamentou a vendedora mais educada que encontrei pela frente. Quando não tinha mais esperança, via-me condenado a ser um empresário para sempre, todo sempre!, um disquete apareceu-me nas mãos em casa, misteriosamente, como essas coisas que acontecem nos contos de Borges. Findou-se o episódio disquete, mas tenho ainda uma longa jornada pela frente.

Engraçado que o nome fantasia da minha da empresa era Odisseia. Pois a denominação se revelou profética, levando em conta a odisseia que enfrento para livrar-me da dita cuja, atravessando oceanos de má vontade dos funcionários públicos, tempestades de burocracia, para voltar, enfim, a ser um civil, quando, poderei, finalmente, aliviado, abrir uma cidra cereser e rasgar minha CPSC (Certidão Positiva de Saco Cheio).

4 comentários:

  1. Funcionários públicos são Tripolares!

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  2. Sim, eles são difíceis. Coitadinhos, ganham tão pouco na Receita Federal...

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  3. Grande Artur, tremenda sacanagem, velho! Como pode? Ter que abrir empresa pra ser empregado, velho? O nome disso aqui em Apipucos é pilantragem!

    Quanto ao meu blog, velhinho, fechei ele temporariamente. Tô tentando escrever uma monografia a tempo de entregar até 25 de março, cara! Comecei quinta-feira do zero. Aí tive que fechar o blog, cancelar facebook e twitter. Foda! Tive até que encaixotar o passa disco e guardar no armário, para evitar todo e qualquer tipo de distração!

    Mas assim que a odisséia da monografia terminar volto à ativa!

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  4. É, Bruno, quando o cara quer fazer alguma coisa tem de riscar a internet do mapa por um tempo mesmo. Monografia então, que exige dedicação exclusiva, mais ainda. Boa sorte com o projeto, meu velho. Aguardo a volta do blog. Abs

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